Aos Diretores de DIJ/Área de Infância e Juventude AIJ

O Diretor do DIJ/AIJ  e as Diretrizes para a Evangelização Espírita Infanto Juvenil         

O diretor do DIJ/AIJ  deve organizar o Departamento de Infância e Juventude/Área de Infância e Juventude seguindo as Diretrizes do Movimento Espírita Brasileiro, proporcionando todo o apoio necessário em todos os aspectos, desde o material didático pedagógico, acesso às obras básicas e complementares, a organização física do ambiente, ao apoio moral, no compromisso maior com Jesus, na tarefa do Bem.

 Objetivos da Evangelização Espírita Infanto- Juvenil:

  • Promover a integração do Evangelizando: consigo mesmo, com o próximo e com Deus
  • Proporcionar ao Evangelizando o estudo da lei natural que rege o Universo e da natureza, origem e destino dos espíritos bem como de suas relações com o mundo corporal.
  • Oferecer ao Evangelizando a oportunidade de perceber-se como homem integral, crítico, consciente, participativo, herdeiro de si mesmo, cidadão do Universo, agente de transformação do seu meio, rumo a toda a perfeição de que é suscetível.

O diretor do DIJ?AIJ deve estimular que os evangelizadores de todos os ciclos utilizem em suas aulas e encontros as Campanhas Permanentes e pontuais das federativas – FEB E FERGS, fazendo as costuras e estabelecendo links entre os conteúdos mínimos de cada Unidade com as realidades do cotidiano de vida do evangelizando e do evangelizador.

Destacamos as Campanhas da FEB: EM DEFESA DA VIDA, CONSTRUAMOS A PAZ PROMOVENDO O BEM, O MELHOR É VIVER EM FAMÍLIA E O EVANGELHO NO LAR E NO CORAÇÃO.

Todos os livretos das campanhas são fornecidos pela FEB mediante solicitação e devem ser disponibilizadas aos evangelizadores para enriquecimento de seu trabalho.

Ressaltamos aqui o valioso recurso educacional desenvolvido no PROJETO CONTE MAIS da FERGS, que utiliza a contação de histórias de conteúdo moral, para diferentes faixas etárias, devendo ser utilizadas em todas as Ações de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil. Este material está sendo utilizado inclusive em escolas de ensino regular no Brasil e se expandindo para o Exterior, pela sua proposta de formação de valores morais em sintonia com os modernos conceitos de formação integral do ser humano, em suas dimensões biopsicossociais e espirituais.

No livro Pelos Caminhos da Evangelização, Cecília Rocha elucida:

“O ensino da Doutrina Espírita deve ser organizado mediante experiências de aprendizado, com as seguintes características:

– Dinâmicas desafiadoras – que despertando o interesse e a curiosidade do evangelizando, proporcionem sua participação ativa, levando-o à aplicação de soluções evangélico-doutrinárias para resolver os problemas cotidianos;

– Significativas – que possam ser compreendidas e assimiladas pelo evangelizando, conforme objetivos pré-estabelecidos, de acordo com o seu nível de interesse;

– Encadeadas – que obedeçam a uma determinada seqüência gradativa: do mais fácil para o mais difícil; do mais simples para o mais complexo; da parte para o todo; do próximo para o distante; do conhecido para o desconhecido; das experiências concretas para as abstratas;

– Individuais – que estejam ao nível de cada evangelizando, em particular, permitindo o atendimento às diferenças individuais, pois embora o desenvolvimento se processe por leis universais, condicionam-se às circunstâncias cármicas particulares (condições biopsico-socioeconômico-culturais e espirituais);

– Grupais – que proporcionem ao evangelizando atividades com outros evangelizandos, facilitando o processo de convivência fraterna nos padrões de solidariedade e de tolerância, aproveitando-se o ensejo para estabelecimento de laços afetivos e formação de grupos espontâneos – característica do processo de socialização da criatura na infância e na adolescência.

O Diretor do DIJ/AIJ e os evangelizadores

O diretor do DIJ deve realizar reuniões periódicas conforme a necessidade e disponibilidade, sendo recomendada no mínimo uma vez por mês.

A reunião de evangelizadores tem por objetivos:

    Integrar os evangelizadores estimulando o trabalho em equipe.

    Estimular no evangelizador o estudo e o aperfeiçoamento técnico didático e pedagógico

    Acompanhar os recursos utilizados na tarefa

  Cooperar com a busca de soluções para situações desafiadoras no relacionamento interpessoal de todos os envolvidos no processo da evangelização

    Socializar novos conhecimentos

    Planejar o calendário e a infra-estrutura das atividades de cada ano

    Organizar relatórios

    Promover a construção coletiva do processo de integração com o evangelizando, com a família e com a comunidade

    Integrar o evangelizador nas atividades do movimento espírita pela atualização do que está acontecendo na casa espírita e nas UMES, CRES e federativas – estadual e brasileira.

  •  A reunião deve ser formatada de acordo com suas finalidades e com a realidade de cada instituição.

Considerando uma instituição que já tenha todos os ciclos de infância e de juventude, a reunião deve ter três momentos:

1º momento: Abertura do encontro com todos os evangelizadores

2º momento: Reunião dos coordenadores de Infância e de Juventude com seus evangelizadores

3º momento: Reencontro de todos para o encaminhamento das solicitações, sugestões e deliberações dos evangelizadores e o fechamento da reunião.

O Diretor do DIJ e a Casa Espírita

O diretor do DIJ deve:

    Conhecer e respeitar o Estatuto e o Regimento Interno da Espírita

    Elaborar e/ou atualizar o Regimento Interno do Departamento de acordo com o da Casa.

    Participar das reuniões de diretoria, apresentando o planejamento e os relatórios do departamento para análise e aprovação;

    Organizar a infra-estrutura da tarefa respeitando

    Cooperar nos eventos do calendário da instituição;

    Priorizar eventos que proporcionem a integração entre diferentes áreas do Centro Espírita.

     Colocar-se a serviço do BEM de acordo com a máxima:

     SENHOR QUE QUERES QUE EU FAÇA? ONDE POSSO MELHOR TE SERVIR?

O Diretor do DIJ/AIJ  FERGS – Somos todos a FERGS            #FERGS

O diretor do DIJ/AIJ deve se comprometer também com a:

    Participação em todos os eventos do calendário da evangelização- encontros estaduais, regionais, capacitações e reuniões;

    Motivação dos evangelizadores no processo de qualificação da tarefa;

    Multiplicação das diretrizes propostas nos encontros e Campanhas do Movimento Espírita.

    Qualificação do processo de Evangelização em todos os seus aspectos;

    Organização de Registros e relatórios de forma sistemática;

    Comunicação e sintonia com os coordenadores regionais e estaduais .

ANEXOS

 Os quatro pilares da educação para o século XXI e o evangelho

Sandra Borba Pereira

O relatório da Comissão Especial em Educação da UNESCO sob a coordenação de Jacques Delors, intitulado Educação, um Tesouro a Descobrir, é valioso documento norteador para pessoas, instituições e nações que vêem na ação educacional o caminho do real progresso das sociedades em particular e da humanidade. Resultado das discussões de personalidades dos quatro cantos do planeta, o “relatório DELORS” é rico material para as reflexões tão necessárias em momentos tão graves como os que vivemos em que se impõe a urgência de uma educação para todos, comprometida com o bem-estar sócio -moral de todos os habitantes da Terra.

Temas importantes são tratados de modo objetivo e em fácil linguagem, como um exercício de espalhar luz, semear idéias e relatar fatos capazes de fundamentar as propostas ali contidas nos velhos ideais da igualdade e da solidariedade humanas. Educação continuada, cooperação internacional, desenvolvimento auto-sustentável, educar para o desenvolvimento humano são alguns dos temas ilustrados com depoimentos, relatos e estatísticas.

Chama-nos a atenção, em especial, a profundidade e singeleza do capítulo 4 da Parte II que aborda ” os quatro pilares de uma educação para o século XXI”.

Meditando sobre eles, os identificamos com algumas máximas do Cristo, o Mestre da Humanidade. Vejamos:

Os 4 pilares Máximas do Cristo

Aprender a conhecer “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo, 8:32)

Aprender a fazer “…Faze isso e viverás.” (Lc, 10:28)

Aprender a conviver “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem.” (Mt. 7:12)

Aprender a ser “Sede perfeitos…” (Mt. 5:48)

1. APRENDER A CONHECER

Reclama de um lado a abertura ao novo, numa atitude de “admiração” pelo mundo, o “pathos” da filosofia grega, o estar em processo constante de observar/ sentir/ surpreender-se com os conteúdos que se nos apresentam na vida. Por outro lado, exige uma atitude ativa: a busca do conhecimento, o que envolve o estudo, a pesquisa, o esforço intelectual permanente para o encontro com respostas ainda que parciais e/ou temporárias sobre os tais conteúdos do mundo. Essa busca exige libertação interior de pré-conceitos, o afastamento do ceticismo sistematizado que a tudo nega e do absolutismo epistemológico que a tudo reduz e “engessa”.

Só a abertura ao novo aliada a uma busca séria do conhecimento facultará ao ser humano em evolução a consciência crítica, a única capaz de situar-se no mundo e não diante / à parte/ sobre / sob o mundo. Estar no mundo e com o mundo, significa identificar-se com a natureza e com os outros, “dialogar” com a Vida buscando- lhe

os sentidos.

Recordamos, então, do Mestre dos Mestres, Jesus, a nos dizer:

“CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ.” (Jo, 8:32)

O ideal da liberdade tem perseguido o homem, espírito imortal, desde os primeiros ensaios de sua inteligência. Paixões más, visões preconceituosas, interesses egoísticos, orgulho e soberba são alguns dos adversários da busca do conhecimento verdadeiro e, conseqüentemente, da liberdade. Cativos da ignorância, do fanatismo, do pedantismo, da estreiteza de vistas, parecemos os assustados homens da caverna da alegoria platônica contida na obra ” A REPÚBLICA” : cerceados da liberdade dos movimentos da cabeça, fitando as sombras projetadas e tomando-as por verdades.

Graças aos sábios mecanismos da evolução, apesar de nossas teimosias, reincidências no erro, as múltiplas experiências reencarnatórias nos possibilitarão a libertação das “amarras” da ignorância, pela vivência de novas e múltiplas situações de aprendizagem, auxiliando-nos no nosso progresso intelecto-moral.

2. APRENDER A FAZER

Exige a coragem de executar, de correr riscos, de errar na busca de acertar. É um convite permanente à descoberta de métodos e instrumentos mais integradores que respeitem os saberes e fazeres dos outros e auxiliem na superação do mero tecnicismo.

É a necessidade de inclusão do fator humano em todo o processo existencial que engloba num todo o pensar, o agir, o sentir.

Aprender a fazer envolve a testagem de novas hipóteses sinalizadoras de mudanças reais e isso reclama do homem a capacidade de superar preconceitos, “mesmices” e a atitude responsável e idealista de “arrotear” um novo solo para a semeadura de novos caminhos.

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, diz a antiga canção da MPB, articulando saber e fazer num processo dialético para que o primeiro não seja vão e o segundo não se torne cego, insensato.

Evocando o exemplo de Jesus, o vemos exortando constantemente seu ouvinte a superar o conhecimento exclusivamente teórico, isolado ou descontextualizado da ação. Em atuações diversas o Messias demonstra em palavras e atos a necessidade da coerência entre pensamento e ação, como encontramos nos textos a seguir que retratam a fala do Cristo :

· ” Batei e abrir-se-vos-á, buscai e achareis” ( Mt. 7:7)

· ” Muito será pedido a quem muito foi dado” (Lc. 12:48)

· ” Reconhece-se a árvore pelo fruto” (Lc. 6:44)

Não basta ao homem o domínio das informações ou conceitos. Conhecer e fazer são faces da mesma moeda da vida, são aspectos da dialética existencial humana em sua trajetória de evolução através da práxis ( ação<-> reflexão). É no agir que o ser consciencial avalia, reflete, mensura, ajusta, redimensiona ou transforma seus

pensamentos e ações através das múltiplas experiências reencarnatórias, processos educativos necessários para todos nós, espíritos ainda arraigados aos formalismos, aos discursos vazios, aos sofismas que necessitam ser superados para que alcancemos a vida em plenitude. Após narrar a célebre parábola do Bom Samaritano, em resposta às questões formais do fariseu cheio de teoria acerca da salvação, enfocando a necessidade de harmonia entre o conhecer e o agir, o Mestre concluiu : ” Faze isso e viverás” ( Lc. 10:28).

3. APRENDER A CONVIVER

Implica em construir uma identidade própria e cultural, situar -se com os outros seres compartilhando experiências e desenvolvendo responsabilidades sociais.

As experiências sociais nos facultam o acesso ao saber, ao fazer, ao viver em conjunto, ao crescer em todas as nossas potencialidades. Através delas adquirimos valores, assimilamos modos e costumes, desenvolvemos habilidades, atitudes, enfim, nos definimos como humano, como pessoa, individualidade em relação com outras individualidades numa dinâmica que possibilita o nosso aperfeiçoamento constante.

Essas experiências geram responsabilidades que reclamam a busca da integração com a Natureza, o compromisso com a Humanidade e a necessária superação dos egoísmos coletivos ou individuais de cor, raça, gênero, credo ou condições sociais e de localização geográfica.

Para o desenvolvimento desse princípio há algo fundamental: A BUSCA DE INTERCESSÕES CAPAZES DE OPORTUNIZAR O CONHECER O OUTRO, SUAS IDÉIAS, SABERES E FAZERES, COSTUMES, VALORES, TRADIÇÕES E ESPIRITUALIDADE. Isso só será possível pelo compartilhamento, pela comunhão,

pelo diálogo, pela convivência.

Sem essa possibilidade de entendimento a vida se torna insuportável, violenta, uma luta permanente pela hegemonia, uma disputa sem regras, desigual.

Se a convivência pacífica entre pessoas e povos é difícil, ainda se constituindo um desafio para o futuro, imaginemos o viver fraternalmente, isto é, como irmãos!

A mensagem cristã volta-se para o respeito a todos e ao exercício da fraternidade com base na paternidade divina e na lei do amor, tendo como regra áurea: FAZER AOS OUTROS O QUE DESEJAMOS QUE OS OUTROS NOS FAÇAM (Mt. 7:12).

Jesus buscou ensinar e exemplificar a convivência fraternal como caminho de crescimento individual e social, como processo de auto-descoberta e desenvolvimento das potencialidades que cada ser carrega em si como marca da criação divina: a fatalidade da evolução, como nos afirma o Espírito Joanna de Ângelis.

O “amai-vos uns aos outros” exemplificado pelo Mestre Nazareno está detalhado em ensinamentos incontáveis originados nas diversas situações do cotidiano : as boas maneiras, o perdão, a solidariedade, a sinceridade, o respeito às diferenças individuais, dentre outros. Cada passagem revela um norteamento para a conduta cristã no processo societal.

Jesus jamais compactuou com o preconceito, o separativismo, o sectarismo. Pelo contrário : sua convivência com as variadas minorias, seu respeito à mulher e à criança, sua sublime desobediência aos preconceitos da época O tornam o homem sócio-moral perfeito, capaz de situar -se  Individual e coletivamente de modo harmonioso e coerente com as leis divinas.

A mensagem crística é, por excelência, a mensagem do respeito, da tolerância e da cooperação fraternal.

4. APRENDER A SER

Sem qualquer sombra de dúvida é o mais importante entre todos os princípios. Ressalta a necessidade de superação das visões dualistas sobre o homem, das visões fragmentadas acerca da educação, fruto das limitações,dos preconceitos, das más paixões, da ignorância e do orgulho que lhe são próprios. Contempla a adoção da concepção integral do ser humano, especialmente naquilo que se refere ao seu modo próprio e único de ser, que envolve todas as suas dimensões, seu pensar, seu sentir e seu agir no contexto existencial onde se situa. Talento, criatividade e comportamento peculiares devem ser trabalhados visando às possibilidades de inovações em todos os aspectos da vida humana e ao verdadeiro sentido de autonomia e desenvolvimento integral.

Aprender a ser – enquanto compromisso – significa também a superação da superficialidade com que se tem tratado, no campo educacional, o ser humano, reduzido muitas vezes a uma cabeça que deve receber conceitos,

normas e todo um conteúdo comportamental sem questionamento ou possibilidade de transformação.

A destinação do homem é a sua perfectibilidade, o que só pode ser alcançado pelas experiências que lhe facultam simultaneamente o conhecimento da Natureza, do outro e de si mesmo.

Descobrir-se enquanto ser integral – bio-psico-social e espiritual; penetrar na essência de sua humanidade,  entrar na posse de sua herança divina e conscientizar-se de sua condição de ser imortal são ações próprias do

aprender a ser na perspectiva cristã.

Ao pronunciar as exortações ” Vós sois o sal da Terra” ( Mt. 5:13) , ” Vós sois a luz do mundo” ( Mt. 5:14), ” Resplandeça vossa luz diante dos homens” (Mt. 5:16), Jesus aponta para as inesgotáveis possibilidades de evolução humana.

No trato com seus discípulos e a multidão fez-se mediador entre Deus e o homens mas tornou-se, sobretudo, farol de luz indicando caminhos seguros e possíveis aos viajores desse mar onde navegamos nas frágeis embarcações de nós mesmos.

O Messias, como Sócrates igualmente o fez, busca no íntimo de cada interlocutor sua força divina de autosuperação e de crescimento espiritual. Exemplo disso encontramos em Maria de Magdala, Zaqueu, Paulo, dentre outros. Na sua própria maiêutica possibilita ao que lhe abre o coração acreditar-se como projeto divino, co-criador, nascido para ser feliz e tornar os outros felizes, no cumprimento da Lei de Amor, Justiça e Caridade.

Todo aquele que mergulha em si mesmo com sinceridade de propósitos encontrará a marca divina do criador e se descobrirá capaz de crescer em todas as direções de modo equilibrado, integrado consigo, com o próximo e com a Natureza.

“Sede perfeitos”, é a expressão do convite do Cristo ontem, hoje e sempre para que assumamos a herança divina em nós crescendo em espírito e em verdade.

CONCLUSÃO

O relatório ” Delors” em sua essência representa um apelo ao homem cansado dos dias atuais de contradições, violências sociais, medos, injustiças sociais no sentido que ele possa encontrar-se consigo mesmo na descoberta do “tesouro” que traz em si, como um diamante sob o cascalho, necessitando do burilamento pelas ferramentas educativas do conhecer, do fazer, do conviver e do ser.

Hoje, no início do século XXI, como outrora, estamos necessitando de uma educação universal e de qualidade, para todos e capaz de garantir qualidade de vida e vida em abundância.

A mensagem do Cristo, nesse sentido, é mensagem atualíssima de vida e harmonia íntima e com o outro, o que só poderá ser alcançado por todos nós a partir de nossa adesão à proposta educacional do Cristo que se alicerça :

a) No respeito à pessoa vista como filho de Deus independentemente de qualquer condição, sempre vista como “sal” e “luz”, como projeto divino de evolução;

b) No respeito às leis divinas ou naturais que nos vão fornecendo o conteúdo da vida e nos ensinando a nos conduzirmos de modo harmonioso no universo físico ou moral;

c) Na certeza da possibilidade de vida abundante para todos, alicerçada no ideal da fraternidade humana, base da justiça social;

d) Numa prática educativa baseada no diálogo, nos referenciais do indivíduo e nas suas possibilidades de auto-superação e de conquistas verdadeiras, sob a bandeira do EVANGELHO.

 REVISTA REENCARNAÇÃO nº 427- A EDUCAÇÃO MORAL – Uma introdução à proposta pedagógica de Jesus, seus princípios norteadores e práticas de ensino – Sandra Borba Pereira.


O Desafio da Infância e da Juventude

Conta-se que o eminente pedagogo Henrique Pes­talozzi, quando recebia uma criança no seu edu­candário, tinha o hábito saudável de ajoelhar- se, a fim de demonstrar-lhe apreço e carinho.

Em realidade, o nobre mestre procurava descer ao nível do aprendiz, olhando-o nos olhos, na mesma altura, de maneira a facilitar o relacionamento que deveria existir entre ambos.

Sabia, o insigne educador, que a criança vê o adulto de maneira diferenciada, como um ser dominador, um gigante que, às vezes, assusta-a. Através desse comportamento, a mente infantil sentia que o mestre era alguém do seu tamanho, portanto, acessível aos seus sentimentos e necessidades.

De maneira equivalente, o Incomparável Mestre Jesus, excla­mou, emocionado, conforme anotou Mateus, no versículo 14, do capítulo XIX, do seu Evangelho: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus.

O sublime Educador Galileu sabia que a criança é o solo fértil para a ensementação que, variando de qualidade, dela faz o cidadão preparado para o reino dos Céus ou o atormentado servidor das paixões angustiantes.

Solicitando que os amigos as deixassem ir a Ele, ensinava o respeito, o carinho e o devotamento que todos devemos ter por aqueles Espíritos que (re)começam a jornada evolutiva na indu­mentária infanto-juvenil.

Posteriormente, o insigne mestre Denizard Rivail encontrou na infância e na juventude o abençoado celeiro de esperanças em benefício do futuro, havendo-se dedicado, por longo período à santificante atividade de educação, que ampliaria, por ocasião da divulgação do Espiritismo, sob o pseudônimo de Allan Kardec.

O Espiritismo, por sua vez, doutrina essencialmente educativa, investe no futuro da humanidade através desses viajores da atuali­dade, oferecendo-lhes os instrumentos próprios para se equiparem de sabedoria, de forma a construírem a sociedade melhor e mais feliz.

Foram educadores por excelência Jesus, Pestalozzi e Allan Kardec!

Nesse sentido, a gigantesca e desafiadora obra de Evangeliza­ção espírita infanto-juvenil é de relevante significado, nestes dias atormentados da cultura e dos comportamentos terrestres, em face do dever de educar-espiritizando e espiritizar-evangelizando esses Espíritos que se encontram receptivos às lições que lhes sejam dirigidas, os ditosos construtores do futuro que se preparam para a grande edificação!

Todo o empenho deve, pois, ser aplicado nesse edificante mister, no lar, na escola, na Sociedade Espírita, de forma a criar-se o clima superior de espiritualidade que aos educandos capacite para os enfrentamentos perversos do processo de evolução, nas lutas contra as teimosas imperfeições, no esforço pela transformação dos sentimentos morais sempre para melhor.

Comprometida com essa nobre realização, a querida irmã Pro­f. Cecília Rocha reencarnou-se na Terra, para contribuir de maneira eficaz e sábia, ao lado de dedicados missionários da educa­ção e do amor, nas hostes espíritas, com os valiosos recursos da psicopedagogia e da didática avançadas, ensementando nas vidas em formação o conhecimento, o respeito e a alegria de poder dis­cernir sob as miríficas luzes do Evangelho de Jesus e da Codificação kardequiana.

Congratulando-nos com a dedicada autora da presente obra, pelo resgate da história da evangelização espírita infanto-juvenil no Estado do Rio Grande do Sul, em todo o Brasil e em diversos países da Terra, auguramos ao oportuno trabalho um crescente êxito, despertando as consciências adormecidas em relação à infância em geral, e aos espíritas em especial, a não postergarem a tarefa de iluminação das existências que (re)começam nas carnes infanto-juvenis, ricas de perspectivas e esperanças, que não podem nem devem ser defraudadas.

( Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião do Centro Espírita Caminho da Redenção, Salvador, Bahia)